Projetos são empreendimentos temporários, amplamente utilizados nas organizações em todo o mundo e destinados a atender alguns driversbásicos de negócio: Aumento de receitas, diminuição de custos, atendimento ou adequação à legislação, melhoria de imagem corporativa. Podem existir outros objetivos corporativos, mas resumidamente acabam se afunilando nesses apresentados.

Para que servem metodologias ? As organizações buscam os melhores resultados possíveis em seus empreendimentos, de forma a obter retorno de seus investimentos ! Para isso,  metodologias são utilizadas, entre elas a de gestão de projetos. Tais metodologias  nada mais são do que conjuntos de procedimentos  com o objetivo de padronizar, uniformizar e facilitar a gestão de projetos em uma organização.

Gestão de projetos não é coisa recente. Há mais de quatro mil anos, as pirâmides do Egito foram construídas, entre  muitos outros grandes empreendimentos, como a construção de grandes cidades de impérios antigos, estádios, a ida do homem à Lua… e muitos outros. Pode-se realizar projetos sem uma metodologia? Sempre é possível, entretanto o uso de uma metodologia otimiza os resultados finais, enquanto mantém os custos e riscos controlados, gerencia as alterações de escopo, entre muitos outros aspectos que compõem a gestão de projetos.

Quando se fala em otimização, se fala em padronização e uniformização de procedimentos. Imagine uma organização: se todos trabalham de forma padronizada, isto é, seguindo uma metodologia, a comunicação torna-se mais fluida, os stakeholders falarão a mesma língua, ou seja, a probabilidade de sucesso é aumentada, enquanto se reduz as perdas e desperdícios.

Atualmente algumas vertentes em gestão de projetos disputam a atenção dos gestores: a tradicional, (também chamada de preditiva, cascata ou waterfall), e a Ágil (também chamada de iterativa, incremental ou adaptativa).

Quais as principais diferenças ?

Nas abordagens preditivas, espera-se que sejam conhecidos e definidos de antemão (upfront), o escopo, prazo e custo o mais cedo possível no ciclo de vida do projeto, que assim irão compor todo o planejamento do projeto. As mudanças que vierem só farão parte do escopo, prazo e custo se forem aprovadas por um comitê de gestão de mudanças.  Quando o projeto passa à fase de execução,  os esforços se direcionam para cumprir o que foi combinado com os stakeholders, e o sucesso do projeto é medido e avaliado conforme a aderência do que foi planejado versus o que foi realmente executado. Mais utilizada em ambientes estáveis (Exemplo: construção de uma usina nuclear)

Nas abordagens adaptativas, o escopo está numa lista priorizada de requerimentos, alimentada diretamente pelas áreas de negócio da organização. Esta lista (Product Backlog ou outro nome similar)  pode ser alterada rapidamente quando forem alteradas as circunstâncias do projeto, do mercado ou qualquer outra. Essa abordagem é focada em ciclos curtos de planejamento, inspeção e adaptação. Assim, os resultados são constantemente entregues e a organização se beneficia dos “quick wins”, os resultados em doses menores e incrementais, além de entregas frequentes. Mais usada em ambientes sujeitos a alterações frequentes (Exemplo: projetos de pesquisa e inovação)

UPs – Abordagem preditiva/tradicional/waterfall/cascata

  • Estabilidade
  • Ênfase na previsibilidade
  • Problema e solução devem ser conhecidos desde o início
  • Pode ser aplicado a qualquer tipo de projeto

Downs – Abordagem preditiva/tradicional/waterfall/cascata

  • Rigidez
  • Dificuldade na estimativa precisa de tempo, custos e escopo
  • Mudanças complexas
  • Produto geralmente entregue só no final do projeto

UPs – Abordagem adaptativa/iterativa/incremental/ágil

  • Entrega constante de incrementos do produto
  • Flexibilidade
  • Maior motivação e autonomia da equipe do projeto
  • Menor risco de produto inadequado ou defasado

Downs – Abordagem adaptativa/iterativa/incremental/ágil

  • Não há cronograma completo no início do projeto
  • Escopo variável
  • Documentação mínima
  • Não se aplica para qualquer tipo de projeto

Há abordagem “melhor” ou “pior” ? Não creio. Cada uma dessas abordagens tem seus pontos positivos e negativos, lembrado que também é possível a utilização de abordagens híbridas, que busca obter o melhor de ambas listadas acima. O importante não é se fixar em nomes, títulos ou metodologias, mas entregar resultados !

Fabio Luiz Braggio – Dezembro 2018
www.flbinfo.com.br